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"Escrever", de Marguerite Duras

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.08.18

  

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"Escrever" de Marguerite Duras é um pequeno manual sobre a coragem de dizer a sua verdade através de um código comum impresso em papel (agora em écran).

O que Marguerite Duras nos quer revelar é que ser escritor é ser criador, revelador, investigador e, acima de tudo, implacável na sua verdade.

 

Nunca gostei do termo escritor, o que escreve. Melhor um pouco, autor, mas ainda não o define. Pode-se ser autor de muita coisa. Há escritores-filósofos, há escritores-investigadores, há escritores-cientistas, há escritores-narradores, há escritores de monólogos, há escritores de diálogos, e há escritores a metro...

 

Marguerite Duras é uma escritora que revela, mostra à luz, retira o véu e às vezes a pele.

Tem a fibra e a coragem, e é implacável.

Quando nos devolve, em espelho cruel, o homem, mas sobretudo a mulher, sentimos uma surpresa no início, mas é uma surpresa familiar :)

 

"Escrever", na verdade, não tem preço. Voltei a arrumar os livros, esses objectos felizes, na estante. Haverá lugar para eles na nova casa. Irão iluminá-la como têm iluminado as casas até aqui :)

 

 

publicado às 11:11

As afinidades filosóficas são intemporais

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 18.07.18

 

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Schopenhauer descreve, como poucos, a crueldade humana. No prefácio do livro "Dores do Mundo - pensamentos e fragmentos" da Hiena Editora, 1995, Didier Raymond refere que "Schopenhauer introduz na Filosofia uma inovação notável, que é subordinar as funções intelectuais às funções afectivas (supremacia da vontade sobre as funções de representação), levando tudo isto à descrição de um mundo absurdo. ... Ao pôr em causa a independência das funções intelectuais faz pesar sobre o pensamento, que se julgava "livre", uma desconfiança a respeito das suas próprias operações, e a necessidade de um novo nível de crítica, mais profundo que o da crítica kantiana. ... Ao seu pessimismo, porém, é que Schoppenhauer deve a celebridade. ... Aonde é que Dante poderia ir buscar o modelo e o tema do seu Inferno, exclama Schopenhauer, senão ao mundo real!"

É um livro delicioso, mesmo na parte "Ensaio sobre as mulheres". Começa assim: "Só o aspecto da mulher revela que não está destinada aos grandes trabalhos intelectuais nem aos grandes trabalhos materiais. ... O que faz as mulheres particularmente aptas para cuidar, para dirigir a nossa primeira infância, é conservarem-se pueris, frívolas e acanhadas de inteligência; conservarem-se toda a vida crianças grandes, uma espécie de intermediárias entre a criança e o homem. ..." 

O livro já não se encontra disponível. Valorizei-o em 40 Euros. 

 

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Thomas Bernhard encontra em Schopenhauer a lucidez na observação do mundo, a consciência da loucura da sociedade actual. "Trevas" inclui vários discursos críticos e mordazes, quando homenageado pelo público que considera alienado, pequenos textos e uma entrevista. Gosto particularmente desta parte de um discurso de 1965 em Bremen: "... O frio aumenta com a claridade. Doravante reinarão esta claridade e este frio. A ciência da natureza será para nós uma claridade mais alta e um frio muito mais hostil do que a nossa imaginação pode prever. ... A impressão de um dia sempre claro e sempre frio é o que nos reserva o futuro."

"Trevas", igualmente da Hiena Editora, 1993, já não consta da lista dos livros disponíveis. Por esse facto, e por ser Thomas Bernhard, valorizei-o em 30 Euros.    

 

 

publicado às 22:04

Livros que deram filmes surpreendentes

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 14.07.18

 

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"As Vinhas da Ira", de John Steinbeck, foi adaptado ao cinema por John Ford. Dediquei ao filme um post no Rio sem regresso.

Este livro em concreto é da Edição "Livros do Brasil" Lisboa, colecção Dois Mundos, 3ª edição.

Na Fnac há 2 unidades disponíveis de uma edição de 2016, por 19,90. Tendo em conta o estado impecável do livro, avalio-o em 20 Euros.

 

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"Rebeca", de Daphne du Maurier, foi adaptado ao cinema por Hitchcock. Também lhe dediquei um post.

Igualmente uma edição "Livros do Brasil" Lisboa e da Colecção Dois Mundos. Não refere a edição, pelo que depreendo seja única ou uma 1ª edição.

Na Fnac encontra-se uma edição de 2009 da Editorial Presença (3 unidades disponíveis), por 21,90. Como o livro está um pouco gasto por ter ido no saco para a praia em 88 :), segue por 20 Euros

 

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"O Império do Sol" de J. G. Ballard transformou-se no meu filme preferido de Steven Spielberg, o que fica claro neste post.

Novamente uma Edição "Livros do Brasil" Lisboa, de 1987, desta vez da colecção Vida e Aventura. Edição única ou 1ª edição.

Como não o encontro na Fnac e está em bom estado, avaliei-o em 30 Euros

  

 

publicado às 20:06

Livros: do cinema (1º post) para o teatro

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 14.07.18

 

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"História vivida de Artaud-Momo" de Antonin Artaud, nº 63 da colecção memória do abismo, da Hiena Editora, uma das editoras portuguesas mais interessantes do séc. XX. Por alguma razão este livro de Artaud é o nº 63 da colecção memória do abismo :)

Para todos os que se dedicam ao teatro - dramaturgos, encenadores, actores, etc. -, este é um livro fundamental. Não o vemos na Fnac, mas ainda consta do Catálogo disponível de 2017 da Hiena Editora, por 15 Euros.

Segue, pois, por 15 Euros, incluindo o envio.

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De Thomas Bernhard, duas peças "A Força do Hábito seguido de Simplesmente Complicado", Edições Cotovia Lda., 1991. A tradução d' "A Força do Hábito" é de Alberto Pimenta e a de "Simplesmente Complicado" de João Barrento.

No verso da capa pode ler-se: Thomas Bernhard (1931-1989), A Força do Hábito, uma comédia; uma comédia? Digamos primeiro, em vez disso, força da força e fraqueza da fraqueza, o que não é de todo para rir; mas, deois também, fraqueza da força e força da fraqueza.Aí já "um olho ri e o outro chora". ... Bernhard juntou Artaud e Brecht na sua dissertação de dramaturgia ...

Não está disponível na Fnac nem no Catálogo das Edições Cotovia na secção Teatro, pelo que o avaliei em 20 Euros

 

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Os "últimos trabalhos de Samuel Beckett foram editados pel' O Independente e a Assírio & Alvim e Miguel Esteves Cardoso, que é também o seu tradutor, em 1996, "por ocasião da 48ª Feira do Livro de Frankfurt, dedicada à Irlanda".

Seguirá por 25 Euros.

 

 

publicado às 14:20

 

No intervalo dos livros, algumas peças de roupa que vesti uma vez. Cada peça é apresentada com as medidas respectivas.

 

O vestido do baile da Queima das Fitas de 81 em Coimbra é um Hildebrandt, de Sta Clara, o melhor Costureiro dos anos 80 e 90, na minha opinião. Avaliei-o em 75 Euros. 

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É um vestido preto, de corte minimalista, que cai de forma magnífica e elegante. Medidas: comprimento total = 142cm . Larguras: do cai-cai = 75 cm; do busto = 96 cm; da anca = 112 cm. Fica perfeito a quem mede entre 1,62 e 1,65 e que seja esguia, pois o vestido cai a direito e não se cola ao corpo, desenha-o muito discretamente com os movimentos.

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 A parte da frente é ligeiramente mais subida e estreita nas alças do que a parte de trás.

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 Finalmente, o pormenor dos acabamentos na borda do vestido:

vestido-queima-acabamento-borda.jpg

cartão-do-costureiro-hildebrandt.jpg

 

O segundo é um vestido de cocktail dos anos 70 que me foi dado pela minha mãe e que apenas usei num casamento. Trata-se de um Isabel Faria, a melhor modista dos anos 60 e 70 em Coimbra. Por isso o avaliei em 80 Euros.

O vestido não deve ficar justo na cintura, esse é um dos segredos da tendência de corte direito ou em evasé dos anos 70.

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Medidas - comprimentos: total = 101 cm; mangas = 61 cm. Larguras: ombros trás = 38 cm; busto frente = 42 cm; cintura = 72 cm; anca = 89 cm. O vestido deve ficar ligeiramente acima do joelho e liga muito bem com sandálias beije de salto médio, largo e direito, próprio dos anos 70.

vestido-cocktail-parte-trás.jpg

O vestido é todo forrado, à excepção das mangas, o que lhe dá uma elegância especial. assim como o cinto forrado a marcar levemente a cintura. 

vestido-cocktail-pormenor-mangas.jpg

 O pormenor do cinto forrado, a marcar levemente a cintura:

vestido-cocktail-cinto.jpg

 

 

publicado às 18:02

Os objectos felizes mudam de mão

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 12.07.18

 

Durante uns tempos os objectos acompanham-nos em estantes, em armários, em caixas, em pastas. Livros, selos, roupa que só usámos uma vez, os Objectos felizes.

Como já disse no Twitter - @avidanaterra -, vamos rumar a sul para ficar perto do pai. A mudança quer-se leve, porque a casa tem de ser adaptada, sem mobília que atrapalhe a mobilidade, sem livros que possam acumular pó em estantes, tudo arrumado em armários embutidos.

 

O valor de referência de cada objecto será explicitado, para não errar nos cálculos. Sobrevalorizamos o que amamos :) 

O contacto será por e-mail: objectos-felizes@sapo.pt

É só indicar a posta restante mais próxuma e seguirá à cobrança. 

 

Todos os livros seleccionados para os Objectos felizes estão como novos, pois uma das minhas obsessões é tratar bem os livros, folheá-los com cuidado.

 

Aí vão os quatro primeiros:

 

O primeiro livro é uma Edição do Clube do Coleccionador, dos CTT: "O Cinema Português nunca existiu" de João Bénard da Costa, "com uma tiragem de 12.000 exemplares, contendo os selos comemorativos do 1º Centenário do Cinema em Portugal e uma prova numerada de um dos selos da emissão." Valorizei-o em 60 Euros, pois não o encontro em stock nos CTT. O valor inclui os portes de envio.

 

livro-dos-ctt-1.o centenário-do-cinema português

livro-ctt-primeira-página.jpg

livro-ctt-cinema-selos.jpg

 

 O segundo livro é de novo sobre o Cinema e de João Bénard da Costa, "Os Filmes da Minha Vida - Os Meus Filmes da Vida", da Assírio & Alvim, 1990. Valorizei-o em 40 Euros, pois já não consta do stock da Fnac. De novo o valor inclui os portes de envio.

 

os-filmes-da-minha-vida.joão-bénard.jpg

 

O terceiro livro, para variar, é de novo sobre Cinema e de João Bénard da Costa, "Muito Lá de Casa", da Assírio & Alvim, de 1993. Valor = 20 Euros, incluindo portes de envio. O valor baseou-se de novo na Fnac, que tem um exemplar em stock por 20 Euros e entrega gratuita.

muito-lá-de-casa.cinema-joão-bénard.jpg

 

O quarto livro é de novo de JoãoBénard da Costa, "Quinze Dias no Japão", da Colecção de Verão d' O Independente, de 2001. Não encontro referência para o seu valor, baseei-me na intuição. é um livrinho fantástico sobre um país que sempre me fascinou. Valor = 15 Euros, incluindo portes de envio.

 

quinze-dias-no-japão.joão-bénard-da-costa.jpg

 

 Até amanhã.

 

 

 

publicado às 12:33


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